O escultor Leo Stockinger está no Brasil para apresentar a exposição Vísceras – Corpo e Existência, que será inaugurada nesta quinta (3/4) na Galeria Stockinger (R. Luciana de Abreu, 450). Com a curadoria de Giovana Winckler, a mostra faz parte do Projeto Portas Abertas, promovido pela Fundação Bienal do Mercosul. O artista já participou de mostras coletivas em Brasília e Paraty, mas essa é a sua primeira individual.
Radicado na Austrália desde 2005, o porto-alegrense estudou escultura na National Art School de Sydney e, incorporou influências diversas à sua produção, que reflete uma vivência multicultural e a busca por novas formas de expressão, sem perder a conexão com a tradição da escultura: “Expandi minha visão sobre a arte, absorvendo referências que vão da tradição indígena australiana à arte asiática e ocidental contemporânea”.
Vísceras – Corpo e Existência ganhou vida quando Leo encontrou um material vermelho de aspecto molhado e surpreendente plasticidade – um adesivo que evocava a matéria viva da carne e das vísceras. “Busquei corpos fossilizados nos troncos de árvores mortas na praia. Eram vestígios do tempo, restos esquecidos que carregavam histórias em suas fibras secas”, revela.
Da fusão desses elementos nasceram corpos escultóricos únicos, onde madeira e adesivo se incorporam em diferentes formas e tamanhos, ressignificando a matéria e transformando-a em arte. Onde o expectador é convidado a sentir o que só a alma é capaz de enxergar: “A carne agora pulsa novamente – não mais inerte, mas víscera viva, reconfigurada pela arte”, complementa Stockinger.
As obras poderão ser visitadas até o dia 28 de abril. Leo montou seu atelier na Galeria Stockinger e o público acompanhou de perto seu processo criativo e a construção de esculturas de grande porte que farão parte da exposição. “A ideia é que as pessoas vejam a escultura acontecendo, que sintam a matéria se transformando diante de seus olhos”, afirma o artista.
Textos assinados pelo crítico de arte Jacob Klintowitz e pelo artista Tom Isaacs, de Sydney, refletem sobre a poética e o impacto do trabalho de Stockinger. Suas esculturas ultrapassam a beleza plástica e nos fazem perguntas. Sobre gênero, energia sexual, culpa, posse, raiva, vergonha, relações e desejo. Corpo e mente cúmplices em cada peça do artista e naqueles que são tocados pela sua criação. Carne, signo, símbolo.
Além da exibição das obras, estão previstas visitas guiadas. Ainda não há um calendário oficial para que a mostra viaje para outras cidades brasileiras, mas especialmente as peças maiores – devem permanecer por aqui, abrindo caminho para futuras exibições. “Quero que essa mostra seja um ponto de partida para um diálogo maior com o Brasil. Deixar obras aqui é uma maneira de manter essa conexão viva”, finaliza Leo Stockinger.
Foto Giordana Winckler