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O Baco abstrato de Tonico Alvares

Se a fotografia fosse uma história, a luz seria a protagonista. Quase tão essencial como a sensibilidade e o talento observador do retratista.

Será aberta hoje as 18h a Mostra Baco na Faro Design que fica na Fabrício Pillar.

Já para a produção de vinho, a mesma luz é algo a ser evitado.

Transitando entre esses dois universos, Tonico Alvares buscou Baco, deus do vinho, nas caves da Villa Francioni.

A partir de uma intensa imersão no espaço onde ficam armazenados barris e garrafas para que o tempo faça delicadamente seu trabalho, o fotógrafo degustou as luzes baixas e encontrou formas inusitadas. Vestígios, sombras, reflexos, rastros. Indícios que seriam ainda mais investigados. A partir do material bruto e de outra imersão, agora em seu atelier, o artista trabalhou digitalmente o que captou. Buscou realçar luzes e sombras, projetou contrastes, reforçou formas. Como resultado, uma resposta gráfica, à beira do abstrato. Mais ambiguidade e menos documento. Uma celebração ao imaginário, ao festejo e à beleza. Um duo de escuro e claro:

“Baco é construído com a alma da fotografia captado em baixas luzes buscando no escuro das caves profundas, todas as cores que estão vívidas no berço da luz!” , explica o fotógrafo.

O gaúcho começou sua carreira profissional em 1974 como repórter
fotográfico do Diário de Notícias e Emissoras Associadas, em Porto Alegre.
Com imagens da reportagem “Motim no Presídio”, ganhou
seu primeiro prêmio, em 1975, do Salão de Artes do Rio Grande do Sul.

Em 1976 cursou, na Polytechnic School of London, fotografia e iluminação.
Em Estocolmo, Suécia, fez trabalhos para o Etnografiska Museet (Museu
Etnográfico de Estocolomo), buscando material em países orientais como
Paquistão, Afeganistão, Índia, Nepal e Tailândia. Em 1979 realizou, na Kulturhuset
(Casa de Cultura), Estocolmo, sua primeira mostra fotográfica sociocomparativa,
intitulada “Afeganistão-Estocolmo” e que contrastava realidades.

Em Brasília, cobriu a Assembléia Constituinte pela revista Veja.
Retornou a Porto Alegre no início dos anos 90, onde realizou exposições como
“Afeganistão-Estocolmo”, “Paris-Índia” e Redes no Museu de Artes do Rio
Grande do Sul (MARGS), mostra “Rui, 40 anos”, em homenagem ao estilista
porto alegrense, na Bolsa de Arte, “Paris 48 Horas” na Galeria de Artes da Caixa
D’água (DMAE). Em 2009 participou de duas mostras fotográficas coletivas:
“11 Photograpes Brésiliens”, em Paris, na Galerie D’art François Mansart, com a
obra “Senhoras de Estocolmo”; e o “Fotorama-09”, Encontro Internacional de
Fotografia, no Uruguai, com uma mostra referente a um dos últimos shows
do ídolo do reggae Bob Marley.

Exímio observador dos ângulos e formas, tem provado com suas séries de imagens e detalhes, que fotografia é também uma arte abstrata.

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